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Governo do Estado de Alagoas

Usuários do Sistema Único de Saúde exaltam avanços na área da Saúde

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Repórter:
Marcel Vital
Fotos: Carla Cleto | Olival Santos

Sentado e aparentemente confortável, Valter Farias Bento – um homem de 52 anos, estatura pequena e de cabelos grisalhos – aguardava pelo seu atestado médico na sala de espera, após ter sido medicado em um dos seis consultórios da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Alfredo Vasco Tenório, no Trapiche da Barra.

Procurou acolhimento na UPA após sentir fortes dores na cabeça e nas articulações, além do acúmulo de secreção em seus pulmões. Por ser a primeira vez no local, a recepção, de acordo com ele, foi excelente e o atendimento, humanizado. Nada ficou a desejar.

“O atendimento foi ótimo e bem rápido. A equipe está de parabéns. Tomei a medicação na hora certa. Primeiro, as técnicas de enfermagem conversaram comigo e, só depois, passaram o diagnóstico para o médico, que aplicou o remédio de que tanto precisava”, contou. “E ainda falaram que, caso eu precisasse novamente do serviço, eles estariam à disposição para me ajudar no que fosse preciso.”

Para aliviar os sintomas, o procedimento prescrito e solicitado pelo médico e executado pela enfermagem foi uma injeção e a inalação com soro fisiológico, sob a forma de vapor, para umidificar e desobstruir as vias respiratórias, a fim de facilitar a respiração. O atendimento durou em média 30 minutos.

Ele conta que, quando não existia a UPA, a situação era muito difícil, porque a população que mora, trabalha, estuda e vive nas redondezas, e fora dela, precisava recorrer aos postos de saúde. “O atendimento nesses locais demorava tanto que eu ficava nervoso com a demora. Eram muitas filas, bastante gente”, desabafou.

Para ele, a população do Trapiche da Barra tinha necessidade de um serviço que possibilitasse melhor assistência aos usuários que procuravam atendimento de saúde qualificado, que resolvesse grande parte das urgências e emergências, como pressão, febre alta, fraturas, cortes, infarto e derrame.

Seu Bento mora no Vergel do Lago, bairro localizado à beira da Lagoa Mundaú. E, graças à construção da UPA, não precisa mais enfrentar os vários desafios para cuidar de sua saúde. O deslocamento de sua casa até o equipamento de saúde é realizado de moto, num percurso que demora em média 20 minutos. Vantagem que ele só tem a agradecer.

A fé como recompensa

José Alexandre da Silva, hoje com 17 anos, não guarda boas lembranças de sua infância nos corredores dos hospitais. “O que me dava forças, primeiramente, era Deus. Quando a minha mãe estava do meu lado, sentia-me seguro. Nada me abalava, nem mesmo a doença”, disse o adolescente.

Aos 12 anos ele começou a sentir mudanças bruscas em seu corpo. Os poucos passos que dava eram suficientes para o cansaço excessivo tomar conta. O apetite reduzido lhe causava a perda de peso. E, se deixasse, passaria o tempo todo dormindo. “A família tentava estimulá-lo, o máximo possível, para não vê-lo naquela prostração”, contou a mãe, Zoraide Correia de Oliveira.

Como se não bastasse, o adolescente começou a apresentar dores nas articulações e inchaço, até o dia em que não sentia os movimentos dos membros inferiores, ficando sem andar durante 15 dias.

De acordo com a mãe, quando ele tomava a medicação, voltava a mover as pernas, ainda que a dificuldade fosse imensa. Mas, quando o remédio era suspenso, os movimentos paravam novamente. Um ciclo angustiante para o garoto e para a sua família. Daquele momento em diante, ainda se passariam alguns dias antes que o diagnóstico definitivo pudesse ser concluído.

E, mesmo com o frio na barriga, a ansiedade e o desespero, José Alexandre e a mãe, finalmente, puderam entender o que estava acontecendo: febre reumática. Uma doença autoimune que provoca dores nas articulações e destruição das válvulas do coração. Ela atinge, principalmente, crianças e adolescentes, entre os cinco e os 18 anos de idade.

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A busca pelo tratamento

A partir de então, era preciso se submeter a uma cirurgia para a troca das válvulas cardíacas. “A sensação era de que eu estava perdendo meu filho a cada dia. Mas o poder da oração me mantinha em pé. Se não fizesse a cirurgia o mais depressa possível, era capaz de ele enfartar a qualquer momento”, disse.

Embora fizesse as necessidades fisiológicas em cima da cama, já que não conseguia se locomover. O filho de Zoraide, em nenhum momento, abria a boca para reclamar. “Quando meu filho dormia, eu passava a noite inteira acordada, porque tinha medo de cair no sono e ele morrer. Olhava pra ver se ele estava respirando, se estava bem. Me ‘rasgava’ diante de Deus ao fazer minhas orações. E pedia, chorando: ‘Senhor, me dê forças. Se quiser levá-lo, tudo bem. Só não deixe que eu perca a minha fé’”, lembrou Zoraide Oliveira.

“Qualquer pessoa conseguia ver o coração dele pulsar. As veias do pescoço ‘pulavam’. Nem era preciso tocar’”, contou. Conforme o passar dos dias, José Alexandre não conseguia se vestir, tampouco pentear seus cabelos. A falta de ar o incomodava tanto, que lhe custava ficar sentado. Não fosse o suficiente, o sangue escorria pela boca, uma dor intensa percorria toda a região abdominal.

A cama, para ele, tinha virado um filme de terror. Os 68 kg, distribuídos num 1,80m de altura, foram reduzidos para os 53 kg, número muito abaixo do peso considerado ideal.

Um sopro de vida

Certa vez, numa conversa típica entre colegas da igreja, Zoraide descobriu que Marcus da Rocha Sampaio, cardiologista do Hospital do Coração de Alagoas (HCOR/AL), tinha ficado muito comovido com a história de seu filho. Queria atendê-lo o mais breve possível.

Após peregrinar em busca de atendimento, teria início, ali, o momento mais feliz e marcante na vida dos Oliveira. Para a mãe do garoto, doutor Sampaio foi um dos anjos que conseguiu devolver vida plena, e cheia, para o seu filho. Na caixinha de sua memória, Zoraide lembra, até hoje, os dizeres escritos numa folha de papel: “o Alexandre precisa de uma nova cirurgia com urgência. Esse menino está morrendo aos poucos (…)”.

Avisado pelo doutor Sampaio, o cardiologista e cirurgião José Wanderley Neto marcou hora e dia para o procedimento cirúrgico. O 24 de setembro de 2015 ficará marcado não só para a equipe médica do HCOR/AL, que executou o trabalho com muita habilidade, assim como para o menino calmo, obediente e estudioso e toda sua família, que foram beneficiados com o serviço de Cardiologia Pediátrica.

“No momento em que mais precisei, Deus abriu às portas para esses ‘anjos’ entrarem em nossas vidas. Não tenho nem ouro nem prata para dar, mas minha gratidão será eterna. Esse projeto é lindo, porque, se ele não existisse, pessoas humildes como eu não teriam a chance de sorrir novamente. Durante os meses em que passamos lá, não vi um olhar distorcido pelo fato de a gente ser pobre. Pelo contrário. Houve muita alegria e atenção enormes”, elogiou.

Com as portas abertas, fechadas e giratórias ao longo do caminho, que parecia não ter fim, Zoraide aprendeu que o coração não é apenas um órgão muscular que, no ser humano, tem o tamanho aproximado de um punho fechado, mas um lugar mágico, onde acontecem as mais extraordinárias das coisas. Indecifráveis, talvez. Na cicatriz, do lado esquerdo do peito, o filho aprende a lição de que a distância mais curta entre dois pontos nem sempre é uma linha reta, e que para alcançar seus sonhos existe um longo percurso a ser percorrido.

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