SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

Governo do Estado de Alagoas

Quando a dor da morte transborda vida e esperança

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Repórter: Neide Brandão

Repórter Fotográfica: Carla Cleto

Eles caminham pelos corredores do maior hospital público de Alagoas, o Hospital Geral do Estado (HGE), entram em Unidades de Terapia Intensiva, Centros Cirúrgicos, Unidade de AVC. Com habilidade e muito tato, transformam um momento de dor de uma família em esperança e felicidade para, no mínimo, seis outras famílias.

“O serviço da Organização de Procura de Órgãos (OPO) é, basicamente, este. Identificar, fazer a manutenção e captação de potenciais doadores para fins de transplantes de órgãos e tecidos e conscientizar os profissionais e a comunidade como um todo sobre sua importância”, explicou Claudete Balzan, enfermeira responsável pela OPO no estado de Alagoas.

Segundo ela, é possível perceber que a dor do luto de uma família que perde um ente querido é minimizada quando as doações de órgãos e tecidos são autorizadas. “A certeza de que o coração continuará batendo, que os órgãos trarão vida para outras pessoas, torna-se algo gratificante para os parentes”, referiu.

A OPO é regulamentada conforme portaria nº 2.601, de 21 de outubro de 2009, tem papel de coordenação supra hospitalar, responsável por organizar a apoiar, no âmbito de sua atuação e em conformidade com o estabelecido no Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes, as atividades relacionadas ao processo de doação de órgãos e tecidos.

Em Alagoas, a OPO funciona no hospital Geral por ser a unidade que mais cede doadores, mas atende todas as unidades hospitalares. A OPO funciona em parceria com as Comissões Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT’s) que existem em todos os hospitais públicos, privados e filantrópicos com mais de 80 leitos.

A implantação de OPO leva-se em consideração a distribuição geográfica da população e o perfil da rede assistencial existente, na razão aproximada de uma OPO para cada dois milhões de habitantes.

É o profissional da OPO que realiza a avaliação das condições clínicas do possível doador, da viabilidade dos órgãos a serem extraídos e faz o contato com os familiares para solicitar o consentimento da doação. “Quando a família autoriza a doação, a OPO informa a viabilidade do doador à Central de Transplantes, que realiza a distribuição dos órgãos, indicando a equipe transplantadora responsável pela retirada e implante do mesmo”.

Busca ativa – Caroline Carvalho, também enfermeira, contou que, diariamente a equipe de profissionais da Organização de Procura de Órgãos, procura por possíveis doadores no Hospital Geral e nas outras unidades hospitalares do estado. “Olhamos no sistema e visitamos as áreas críticas para observar in loco cada caso, conversarmos com os profissionais e, caso sejam abertos protocolos de morte encefálica e comprovado cada caso, sentamos com os familiares para aí decidirem sobre a possível doação”, explicou.

Hoje, no Brasil, para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, em nenhum documento. Basta comunicar sua família do desejo da doação. “A doação de órgãos e tecidos só acontece após a autorização familiar. Coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córneas, veias, ossos e tendões podem ser obtidos de um doador”.

Multiplicando a consciência da doação

Recentemente, a equipe vem se reunindo com profissionais do HGE em rodas de conversas. Na ocasião, eles ressaltam a relevância de cada profissional na assistência ao paciente, possível doador, e seus familiares. Eles também explicam detalhes do protocolo de morte encefálica e sua importância no diagnóstico do paciente.

“Não se deve falar em morte encefálica até o diagnóstico ser fechado através de exames. O diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar e não existe dúvida quanto ao diagnóstico”, disse a enfermeira.

Para a enfermeira, as rodas de conversas vêm reforçando o papel de multiplicador de cada profissional. “Já estamos capacitando a psicologia há alguns dias. Iniciamos com a UTI e a partir da semana que vem estaremos com o pessoal da Limpeza, Pertences, Supervisão e Serviço Social. As áreas fechadas também são nosso foco, Vermelhas, Centro Cirúrgicos, etc. Queremos atingir o maior números de profissionais e, para isso, retornamos ao mesmo setor mais de uma vez para pegar plantões diferentes”, comentou Claudete.

A enfermeira lembrou que qualquer pessoa saudável que concorde com a doação pode ser doador vivo. Este pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores; não parentes somente com autorização judicial.

Os doadores falecidos são pacientes com morte encefálica, geralmente internados em UTI’s (Unidades de Terapia Intensiva), na maioria são vitimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgica como qualquer outra cirurgia e os órgãos vão para pacientes que necessitem de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes e controlada pelo Ministério Público. A retirada dos órgãos e tecidos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente, sem nenhuma deformação.

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