SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

Governo do Estado de Alagoas

Profissionais são capacitados sobre síndrome da Zika

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Repórter: Marcel Vital

Repórter Fotográfica: Carla Cleto

Como forma de combater a dengue, a chikungunya e o zika, cujo principal transmissor é o mosquito Aedes aegypti, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu, nesta segunda-feira (26), uma capacitação voltada aos profissionais dos 102 municípios alagoanos que atendem crianças diagnosticadas com a Síndrome Congênita relacionada ao Vírus Zika (SCZ). A ação faz parte da Semana Nacional de Combate ao Aedes, que teve início hoje. O evento aconteceu no Conselho Regional de Psicologia, no bairro Farol, em Maceió.

O seminário teve início com a apresentação, em slides, da infectologista e superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Mardjane Nunes, que abordou sobre o Protocolo de Vigilância e Assistência à Criança com STORCH-Zika (Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes), cujo objetivo foi prover os profissionais e áreas técnicas de vigilância em saúde com informações gerais, orientações técnicas e diretrizes relacionadas às ações de vigilância da Síndrome Congênita relacionada ao SCZ.

Entre os tópicos discutidos foram abordados o modo como os profissionais devem fazer uma notificação, quais critérios e ferramentas precisam ser considerados para o acompanhamento da criança durante todo o seu tratamento, bem como os locais que os bebês devem ser encaminhados depois do nascimento. “A grande epidemia deu-se entre os anos de 2016 e 2017. Este evento é importante para alertarmos que os casos diminuíram, mas que, mesmo assim, precisamos, enquanto profissionais de saúde, informar aos municípios que eles precisam notificar, para não perdermos nenhuma dessas crianças”, disse a superintendente.

Ainda de acordo com a gestora, o evento também possibilitou que os profissionais discutissem a descentralização do serviço, visto que o atendimento da primeira consulta das crianças diagnosticadas com SCZ acontece apenas em Maceió e Arapiraca. “A proposta é exatamente essa: aproximar o tratamento dessas crianças no município de suas residências. Não faz sentido de a gente tirar uma criança de tão longe, para ela passar o dia todo em atendimento na capital ou em Arapiraca”, frisou. Para o ano que vem, Renata Bulhões, supervisora de Cuidado a Pessoas com Deficiências da Sesau, salientou que o serviço comece a ser feito em Palmeira dos Índios – atendendo a VIII Região de Saúde –, e Santana do Ipanema, a IX Região. “É algo que estamos conversando com os gestores e vendo a possibilidade de capacitação com os próprios profissionais”, acrescentou.

 

Durante sua palestra, o ortopedista Rogério Barbosa, também da Sesau, abordou com os profissionais sobre o diagnóstico precoce das alterações ortopédicas, que podem acometer as crianças que nascem com a síndrome congênita pelo vírus Zika. Do ponto de vista da ortopedia, as malformações mais comuns, segundo ele, são quadris e joelhos luxados (para fora da articulação) e pé tortos (contratura em flexão das articulações), que, caso venha a ser diagnosticado numa fase inicial e começado o tratamento de imediato, pode trazer bons resultados aos pacientes.

A evidência mais comum, entretanto, segue sendo a diminuição do perímetro encefálico, que caracteriza a síndrome. Há ainda de espasticidade (caracterizada por músculos tensos ou rígidos e uma incapacidade de controlá-los), decorrentes do comprometimento neurológico.

“Hoje, o que temos certeza é que algumas apresentam deformidades dos ossos, músculos, ligamentos, articulações, enfim, elementos relacionados ao aparelho locomotor. Mas não podemos garantir se há relação das crianças diagnosticadas com SCZ, possa a vir a apresentar alguma alteração ortopédica, durante o seu desenvolvimento natural. Daí a necessidade de elas serem acompanhadas por uma equipe multiprofissional”, destacou.

Além dos técnicos da Sesau, participaram do evento a equipe multiprofissional que tem a função de cuidar das crianças com SCZ, formada por pediatras e enfermeiros da Atenção Básica, neuropediatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais dos Centros Especializados em Reabilitação (CERs), assim como profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

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