SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

Governo do Estado de Alagoas

Profissionais do Latin destacam eficiência do programa em AL

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Repórter: Marcel Vital

Repórter Fotográfica: Carla Cleto

Coordenadores de alguns estados brasileiros que participam do Projeto Latin (Latin America Telemedicine Infarct Network), reuniram-se, nesta quinta-feira (29), no Hotel Best Western, no bairro da Pajuçara, em Maceió, para reforçar as responsabilidades e tarefas de cada um dos participantes do Programa. O evento serviu para compartilhar experiências e o desenvolvimento de ideias que vão possibilitar à melhoria do serviço, que desde sua implantação, em junho de 2016, no Hospital Geral do Estado (HGE), vem revolucionando o atendimento a pacientes com infarto agudo do miocárdio, cujo diagnóstico acontece com agilidade, evitando sequelas e mortes em razão de problemas cardíacos.

Durante o encontro, o líder do Programa Latin Brasil, Wilson Martins Junior, avaliou que o serviço está trazendo consistência para obter os resultados esperados porque, tanto os profissionais do Hospital do Coração e da Fundação Cordial quanto da Sesau, estão trabalhando de maneira interligada. “No início, quando implementamos o Programa em Alagoas, nós tivemos muitas dificuldades, pois os envolvidos não estavam conectados. Mas isso nos deu uma experiência para entender quais eram os problemas e juntar os responsáveis, permitindo com que toda a equipe pudesse avançar. E isso aconteceu”, destacou.

Ainda segundo ele, o Programa Latin no Brasil, Argentina, México e Colômbia, já conseguiu melhorar a vida de 3.842 pessoas, sendo duas vidas salvas por dia. “De todos esses pacientes que foram tratados, 70% foram no Brasil. A maior parte do Programa está no país porque nós temos feito um trabalho excepcional, haja vista do cardiologista Ricardo Cavalcanti, do Hospital do Coração de Alagoas, e outros líderes que temos pelo Brasil afora. Então, o nosso modelo de negócio deve ser replicado para as outras localidades,”, frisou.

Ele acrescentou que o Programa, desde a sua idealização, foi pensando para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A ideia é que o paciente que não tem acesso à saúde, inclusive, em áreas remotas, consiga ser beneficiado pelo Latin. “É como se colocássemos um médico cardiologista especializado em eletrocardiograma numa unidade que não possui esse especialista. O que estamos dando é a possibilidade desse indivíduo ser identificado com rapidez. O diagnóstico vem em menos de três minutos. É muito rápido. E, no infarto, o tempo é músculo. Quanto mais tempo você demora a identificar e tratar esse paciente, mais chance de morrer ele tem”, disse.

O líder do Programa Latin Brasil informou ainda que a cada trinta minutos que esse paciente tem de dor, aumenta em 7.5% a chance de ele falecer. “Então, quanto mais rápido o diagnóstico for feito e ele for tratado, o médico consegue dar uma maior sobrevida a pessoa acometida pelo infarto. É por isso que o Latin é tão impactante, porque ele cria uma rede, aonde o paciente chegando à UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e identificando esse infarto, toda a equipe multiprofissional é alertada, independente do dia ou horário”, salientou.

Representando o secretário de Estado da Saúde, Christian Teixeira, o secretário executivo de Ações da Sesau, Paulo Teixeira, enfatizou que a saúde pública conseguiu dar um grande passo com a implantação do Latin, visto que o programa mudou radicalmente os indicadores de mortalidade pelo infarto. “Se não fosse os grandes parceiros que o Estado fez ao longo desses dois anos, tínhamos evoluído pouco. Se o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência [Samu] não tivesse entrado neste trabalho, também não teríamos reduzido à metade do tempo para que esses pacientes tenham sua assistência adequada. Sinto-me honrado de fazer parte desse projeto, pois estou cercado de profissionais que querem e sabem fazer, além de serem muito competentes. Parabéns ao Governador do Estado, ao secretário Christian Teixeira, ao Samu, às UPAS e, acima de tudo, ao povo alagoano, que está sendo bem assistido”, disse.

Para Marta Celeste, gerente do HGE, o programa conseguiu objetivar o atendimento a emergências cardíacas por meio da rede de comunicação que conecta as UPAs à unidade hospitalar. Além disso, ela ressaltou que o Latin, independente da presença de profissionais como o cardiologista Ricardo Cavalcanti e tantos outros especialistas, o serviço tem continuidade 24h, de domingo a domingo, porque todas as pessoas envolvidas compreendem e se desdobram diariamente para fazer o melhor pela saúde do alagoano.

“Estou extremamente orgulhosa de fazer parte desse projeto. Em qualquer lugar que eu chego, as pessoas dizem que o Latin é a melhor coisa do mundo. Eu peguei um voo internacional e fiquei fora de área. Há trinta dias, a esposa do meu motorista enfartou. Ela mora no Benedito Bentes e foi levado a UPA daquela comunidade. O diagnóstico foi feito dentro do fluxo; isso aconteceu às 22h e à uma da manhã ela já tinha feito a angioplastia. Quando amanheceu o dia ele me ligou agradecendo, porque achava que eu tinha feito alguma coisa. Mas eu não tinha feito nada. Isso só significa que esse projeto é da população alagoana. Imagino também que é do Brasil, é da América Latina e eu quero parabenizar do orgulho que o HGE faz parte”, afirmou.

Na ocasião, o supervisor do Samu, major Dárbio Alvim, o coordenador médico, Maxwell Padilha, e o diretor clínico, Luiz Antônio Mansur, receberam placas de reconhecimento pela redução do tempo-resposta dos atendimentos a vítimas de infarto em 50% neste ano.

Sobre o Latin – Desenvolvido pela Medtronic, o Latin permite o diagnóstico rápido e preciso do infarto agudo do miocárdio através do uso da telemedicina. O Projeto teve início em Alagoas há dois anos, através de uma parceria entre a Sesau, o Hospital do Coração de Alagoas e a Fundação Cordial. Ele é um serviço de telediagnóstico de problemas cardiológicos que funciona 24h nas UPAs de Maceió, Delmiro Gouveia, São Miguel dos Campos e Coruripe. Também funciona no Hospital Regional de Arapiraca. O coração do projeto está no HGE, onde o Governo de Alagoas inaugurou em 2016 a Unidade de Hemodinâmica Dr. João Fireman, responsável pela realização dos procedimentos de alta complexidade.

Conforme a Fundação Cordial, desde a inauguração da Hemodinâmica do HGE, em junho de 2016, já foram realizados 605 cateterismos de emergência, 1.112 cateterismos internos, 518 angioplastias primárias e 509 angioplastias secundárias. Todos os procedimentos realizados estão disponíveis exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na prática, o funcionamento do programa é simples. Quando o médico acolhe um cidadão nas unidades de saúde mencionadas com sintomas de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), as informações sobre os exames iniciais são enviadas para o Centro de Telemedicina, cujo laudo fica pronto em até dez minutos, e encaminhado para o Hospital do Coração de Alagoas – responsável pela indicação da conduta que será adotada pelo médico que está atendendo o paciente na porta de entrada. Em caso de identificação da doença, o paciente é transferido imediatamente para o HGE.

Infarto no HGE – Em 2017, o HGE atendeu 823 usuários com doenças cardíacas. Neste ano, até agosto, a unidade hospitalar já assistiu 601 pessoas que buscaram diretamente o hospital. No mesmo período do ano passado, foram atendidas 560. Especificamente sobre o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), em 2017 foram diagnosticados 247 portadores da doença; em 2018, até agosto, já haviam dado entrada no hospital 99 infartados. No mesmo período de 2017, foram 193.

Vale salientar que, neste ano, o HGE foi reconhecido nacionalmente pela qualificada assistência que presta às vítimas de infarto através do prêmio Melhor Desempenho de 2017 do Programa Latin Brasil. Desde a sua criação, em junho de 2016, o programa funciona integrado a diversos serviços de saúde, que agilizam exames e, se confirmado o diagnóstico, o doente é levado para o serviço de Hemodinâmica do HGE, onde recebe todos os cuidados necessários.

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