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Governo do Estado de Alagoas

Sesau alerta sobre cuidados para evitar as hepatites virais

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Repórter: Marcel Vital

Repórter Fotográfica: Carla Cleto

Provocadas por diferentes vírus, as hepatites virais são doenças que possuem em comum a capacidade de inflamar o fígado da pessoa infectada, mas que, dependendo do tipo do agente causador, não apresentam sintomas, levando o paciente a uma situação crônica, sem que ao menos saiba que está doente. E é no sentido de abrir o debate sobre essa conscientização, que neste domingo é realizado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais.

Instituído em 2010 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a data marca o encerramento da campanha “Julho Amarelo”, em função da cor amarelada que geralmente tonaliza os olhos dos pacientes acometidos por alguns dos tipos da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), no primeiro semestre deste ano foram diagnosticados 138 alagoanos com hepatites virais, contra 150 no mesmo período do ano passado. Em todo o ano de 2018 foram 314 notificações.

Os números podem parecer baixos, mas, como a doença é silenciosa, muitas pessoas não fazem o teste rápido e só procuram o médico quando já estão com cirrose hepática ou até câncer, segundo Sheila dos Anjos, coordenadora do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Ela ressalta que a hepatite pode ser causada não só por vírus ou pelo uso de remédios, álcool e outras drogas, mas, também, por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas.

Entre os sintomas da doença, estão cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, olhos amarelados, urina escura e fezes claras. “Isso vai depender de cada paciente e do estágio na qual a doença se encontra. Se esse paciente tem uma imunidade baixa, os sintomas vão ser mais graves. No entanto, se ele tiver uma imunidade alta, vai ser aquele paciente praticamente assintomático, isto é, sem nenhum sintoma, como ocorre na grande maioria dos casos, visto que poucas pessoas procuram o serviço de saúde quando estão doentes”, destacou.

A coordenadora do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis da Sesau esclarece que a hepatite viral pode ser provocada pelos vírus tipo A, B, C, D, E, entre outros, mas que, no Brasil, os mais comuns são os três primeiros. “Esses vírus possuem características diferentes e manifestações clínicas nem sempre semelhantes. O VHA, vírus da hepatite A, por exemplo, causa somente a fase aguda da doença, enquanto os vírus VHB e VHC, das hepatites B e C, respectivamente, podem evoluir para uma enfermidade crônica após a manifestação da fase aguda, com sintomas ou não”, afirma.

Ela explica que o vírus da hepatite B é transmitido pelo sangue e outros líquidos ou secreções corporais contaminados. A transmissão pode também ocorrer em situações rotineiras no dia a dia, como, por exemplo, no compartilhamento de alicates de unha. “A transmissão pode ocorrer também de uma mãe portadora do vírus da hepatite B para seu bebê de nascimento, por contato sexual com uma pessoa infectada sem o uso do preservativo, por injeções ou feridas provocadas, por material contaminado e por tratamento com derivados de sangue contaminados”, ressaltou.

Sheila dos Anjos recomenda que, no caso da hepatite B, evitar o contato com sangue infectado ou de quem se desconheça o estado de saúde, não partilhar objetos cortantes e perfurantes, nem instrumentos usados para a preparação de drogas injetáveis, e usar sempre preservativo nas relações sexuais são as principais formas de prevenir o contágio. A realização de tatuagens, a colocação de ‘piercings’ e de tratamentos com acupuntura só deve ser feita se os instrumentos utilizados estiverem adequadamente esterilizados.

Já o vírus da hepatite C transmite-se, principalmente, por via sanguínea, bastando uma pequena quantidade de sangue contaminado para transmiti-lo, se este entrar na corrente sanguínea de alguém, através de um corte ou uma ferida, ou na partilha de seringas. “A transmissão por via sexual é pouco frequente e o vírus não se propaga no convívio social ou na partilha de objetos. Apesar de o vírus já ter sido detectado na saliva, é pouco provável a transmissão através do beijo, a menos que existam feridas na boca”, disse.

Prevenção – Para a hepatite A, existe uma vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a todas as crianças com 15 meses de idade, assim como para o tipo B da doença, cuja imunização está incluída no calendário vacinal do Ministério da Saúde e é ministrada em três etapas. Na ausência de uma vacina contra a hepatite C, o melhor, de acordo com ela, é optar pela prevenção, evitando, acima de tudo, o contato com sangue contaminado.

Alguns dos cuidados passam por não partilhar escovas de dente, lâminas, tesouras ou outros objetos de uso pessoal, nem seringas e outros instrumentos usados na preparação e consumo de drogas injetáveis e inaláveis. E não mais importante, o uso de preservativo durante as relações sexuais.

Conforme Sheila dos Anjos, em qualquer relação sem preservativo, a pessoa deve submeter à testagem rápida, cuja execução, leitura e interpretação dos resultados são feitas em, no máximo, 30 minutos. Além disso, são de fácil execução e não necessitam de estrutura laboratorial. “O desconforto abdominal que o paciente pode ter causado pela hepatite, geralmente, pode estar associado a uma verminose ou a uma refeição que você comeu. Contudo, aqueles sintomas podem desaparecer e, só depois de algum tempo, o paciente vai sentir o ‘boom’ da doença. O paciente pode ficar 10 anos sem apresentar nenhum sintoma de hepatite, assim como acontece com o HIV. Por isso, neste mês, em alusão ao Julho Amarelo, vamos ampliar ainda mais a oferta da testagem rápida e estimular o uso do preservativo”, evidenciou.

Diagnóstico – Segundo Sheila dos Anjos, o paciente só vai saber que está com algum tipo de hepatite, se ele se submeter à testagem rápida, exames laboratoriais ou um ultrassom. “A hepatite A, cuja transmissão é causada por via oral-fecal, de uma pessoa infectada para outra saudável, ou através de alimentos (especialmente os frutos do mar, recheios cremosos de doces e alguns vegetais) ou da água contaminada, pode ser uma infecção que leva o paciente a óbito, caso não seja tratada corretamente. Isso vai depender do estágio do paciente”, explicou.

Tratamento – O tratamento vai depender da sintomatologia do paciente, seja num estágio agudo ou crônico. “Quem vai fazer essa avaliação, realmente, é o hepatologista. Depois de todos os exames que o paciente vai precisar realizar e, após o diagnóstico, outros exames podem ser solicitados, como ultrassom e a biópsia de fígado. Depois de tudo isso, ele vai determinar o tratamento que, em sua maioria, são medicamentosos, podendo durar meses ou até anos, a depender da gravidade da infecção do fígado”, salientou.

Serviço ­- Como forma de prevenção as hepatites virais, Sheila dos Anjos evidencia que o Estado está sempre capacitando os 102 municípios alagoanos, a fim de aprimorar o diagnóstico e aumentar os números de notificações das hepatites virais em Alagoas, bem como a oferta da testagem rápida e o estímulo da prevenção combinada, que devem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Tratamento – Para o tratamento das hepatites virais, o Estado oferta assistência nos cinco serviços de referência, localizados em Palmeira e Arapiraca, no interior, e no Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), PAM Salgadinho e Hospital Universitário, em Maceió.

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