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Ginecologista do HM alerta sobre riscos para câncer de colo de útero

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Repórter: Marcel Vital

Repórter Fotográfica: Carla Cleto e Olival Santos


Prevenção é o caminho para combater câncer de útero, alerta ginecologista Karine Tenório do HM.

O câncer de colo do útero é o quarto tipo mais comum em mulheres no mundo e a terceira causa de morte do público feminino em função da doença, no Brasil, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O principal fator de risco é a infecção pelo vírus HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano), que é transmitido sexualmente. Quando é descoberto na fase inicial, a doença tem grandes chances de cura. Portanto, é importante fazer regularmente o Papanicolau, exame voltado para rastrear alterações nas células do colo do útero.

A ginecologista do Hospital da Mulher Drª. Nise da Silveira (HM), Karine Tenório de Lucena, explica que um dos fatores que tem contribuído para as mulheres contraírem o HPV ainda é a desinformação. Isso porque, segundo ela, o início das experiências sexuais está acontecendo cada vez mais cedo, sendo mais frequente entre as jovens na faixa etária de 12 e 13 anos. “A multiplicidade de parceiros e a falta de prevenção adequada com o uso do preservativo têm facilitado a infecção pelo vírus nessa idade”, disse.

De acordo com a ginecologista do HM, existem mais de 200 subtipos diferentes de HPV, entretanto, somente os subtipos de alto grau estão relacionados ao câncer de colo uterino. “Nem todo HPV tem potencial oncogênico, ou seja, que irá evoluir para o câncer de colo do útero. Para uma paciente evoluir para um caso de câncer de colo uterino demora em média de 12 a 14 anos. Não é uma coisa imediata”, garantiu. “Se a paciente for jovem, é melhor para ela. Pacientes abaixo dos 30 anos desenvolvem anticorpos contra o vírus. Então, aquele mito de que, ‘uma vez contraído o HPV, eu vou ter que morrer’, não existe’”, explicou.

E vale destacar que o cigarro e os anticoncepcionais facilitam a ativação do vírus. De acordo com Karine Tenório, o anticoncepcional, por exemplo, é um método que, na literatura, já é comprovado que ele diminui alguns tipos de câncer, como o do endométrio e o de ovário.

Prevenção – A camisinha ainda é o único e mais seguro recurso para proteger das mais diversas infecções sexualmente transmissíveis (IST) e a gravidez indesejada. Até porque, o contágio pelo HPV pode ocorrer no contato com as secreções das áreas genitais, mesmo que não haja a penetração. E também durante o sexo oral, assim como em qualquer contato com a região genital.

“Existe uma gama de outras doenças, como a gonorreia, sífilis, clamídia e tricomoníase, que, se usado o preservativo, vai ter uma eficácia de 100%. No caso do HPV, a camisinha não garante proteção completa, pois, a partir do momento em que há o contato com as secreções genitais, é possível, sim, contraí-lo”, destacou.

Vacinas – O Ministério da Saúde (MS) implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, o Ministério estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

“São apenas duas doses. Eles tomam a primeira e, depois de seis meses, a segunda. Nas meninas jovens, a indicação não é fazer o reforço. Mas, se depois dos 30 anos, ela quiser tomar, pode. Pois, até chegar nessa fase da vida, ela vai estar imunizada durante 10 anos”, afirmou.

A vacinação e a realização do exame preventivo (Papanicolau) se complementam como ações de prevenção desse tipo de câncer. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada (a partir dos 25 anos), deverão fazer o exame preventivo periodicamente, pois a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV.

Sinais e sintomas – O câncer do colo do útero é uma doença de desenvolvimento lento, que pode não apresentar sintomas em fase inicial. Nos casos mais avançados, pode evoluir para sangramento vaginal intermitente (que vai e volta) ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.

“O HPV, em si, pode ser uma coisa boba, ter início apenas com uma secreção. Mas, se a paciente tem uma infecção, onde é usado um medicamento e ela não responde ao tratamento, é algo que precisa ser investigado. Muitas vezes, o HPV não se manifesta em forma de condiloma, que é a lesão em forma de verruga, sinal este que chama mais a nossa atenção. Quando a paciente está num quadro mais avançado, com a lesão no colo, ela vai sangrar durante a relação sexual e sentir muita dor. Se a paciente sangra fora do período menstrual, há algo de errado. Por isso, é preciso procurar um médico. Sangramento e dor são grandes indicações de alerta”, disse.

Segundo Karine Tenório, o HPV tem vários estágios, passando pela lesão de baixo grau, de alto grau e, por último, o câncer no colo do útero. “Na manifestação do vírus, só apresenta o corrimento vaginal, por isso, é preciso investigar se é por fungo, bactéria ou vírus. E, se o ginecologista achar necessário, ele complementa com a colposcopia, que é um procedimento médico para avaliar o colo do útero e os tecidos da vagina e vulva, por meio de um instrumento que amplia e ilumina estas estruturas”, explicou.

Detecção Precoce – Por estas razões, o rastreamento precoce da doença é uma forma de impedir que os casos mais avançados tenham uma evolução. A detecção precoce é realizada pelo exame clínico, associada aos exames complementares, a exemplo da citologia. E, a depender do caso, é feita a colposcopia mais a biopsia.

Como é feito o exame de Papanicolau? De acordo com a ginecologista do HM, o Papanicolau é um exame simples, que deveria fazer parte da rotina de todas as mulheres desde o início da atividade sexual. Através da abertura da vagina com o espéculo, o médico consegue visualizar o colo do útero, a região predileta da ação viral. Exatamente nesse ponto chamado de zona de conflito do colo do útero, ele faz um raspado com uma escovinha e uma espátula para recolher as células que serão colocadas em uma lâmina a fim de serem analisadas no microscópio.

Via de regra, as meninas devem se submeter ao Papanicolau após um ano da primeira relação sexual. Depois disso, segundo Karine Tenório, ela deve ficar fazendo a citologia. Se der negativo, ela pode espaçar o tempo para dois anos. No entanto, se for uma paciente que tenha um comportamento sexual de risco, com múltiplos parceiros, sem a devida precaução, é importante que ela faça o exame anualmente. A partir dos 64 anos, conforme preconiza o MS, a mulher deve fazer o exame a cada três anos.

Tratamento – O tratamento vai depender do local e da gravidade das lesões. Conforme a ginecologista do HM, antes dos 30 anos, a maioria das pessoas com o HPV irá eliminar o vírus espontaneamente com a própria imunidade, não necessitando de nenhum tratamento, apenas acompanhamento. A partir dos 30 anos, os cuidados são maiores, porém, vai caber ao ginecologista indicar um método menos agressivo.

O tratamento vai depender do tipo da lesão. Caso seja um condiloma, o tratamento pode ser feito por meio de uma cauterização química, de um bisturi elétrico ou laser.

No caso das lesões de baixo grau, pode ser feita uma conduta expectante, que seria através do acompanhamento da paciente a cada seis meses com um ginecologista. Já as lesões de alto grau vão desde uma cirurgia de alta frequência (CAF) ou uma conização. E, a depender da constituição familiar e da faixa etária da paciente, pode ser indicado a histerectomia. Tudo isso vai ser discutido com um médico responsável.

Referenciado – Para conseguir agendar as consultas no ambulatório de ginecologia do Hospital da Mulher é preciso recorrer a uma Unidade Básica de Saúde. Lá, a paciente será atendida, e o médico verá a necessidade de um serviço especializado. O ambulatório funciona das 7h às 21h.

O município, em sua Estratégia Saúde da Família (ESF), da respectiva Unidade Básica de Saúde, vai encaminhar a paciente pelo Sistema Nacional de Regulação (SisReg), explicando a justificativa da real necessidade do atendimento. A Regulação Médica Estadual, por sua vez, vai receber essa demanda e organizar o agendamento para o Hospital da Mulher.

Para ser atendida no Hospital da Mulher, a usuária precisa ter em mãos, o formulário (impresso ou digitalizado) que é entregue pela Unidade Básica de Saúde, gerado pelo SisReg, que mostra o dia, horário e a especialidade médica da consulta, além da identidade, CPF, cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) e comprovante de residência.

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