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Doula do HM fala sobre importância da aromaterapia durante parto

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Repórter: Marcel Vital

Repórter Fotográfica: Carla Cleto

A aromaterapia é uma prática que proporciona sensação de bem-estar, tanto física quanto psicológica, com a utilização de óleos essenciais. Ela mostra que há ligações entre o olfato e os sentimentos. Então, para ajudar a aliviar um possível desconforto – um ambiente com aromas agradáveis pode ser fundamental para a mamãe se sentir tranquila e relaxada -, enquanto espera a chegada de seu bebê no Hospital da Mulher Dr.ª Nise da Silveira (HM), localizado no bairro Poço, em Maceió. Isso porque, alguns cheirinhos suaves podem ajudar a proporcionar uma ótima sensação de aconchego.

De acordo com Rosiane Oliveira, doula do HM e também aromaterapeuta, que atua no Centro de Parto Normal (CPN) da unidade hospitalar, os óleos essenciais – utilizados nos difusores de ar na parte de deambulação e nos quartos de pré-parto, parto e pós-parto (PPP) -, são extraídos da destilação de várias partes da planta, como folhas, casca de frutas, casca do tronco e até da própria raiz.

Ao inalar os aromas, segundo ela, os canais olfativos mandam a mensagem diretamente para o sistema límbico, a parte do sistema nervoso que é responsável pelas emoções. Depois disso, o cérebro reage às propriedades aromáticas, modificando o humor ou o estado de espírito da gestante. Sendo assim, é possível que uma mulher triste ou desanimada se sinta mais alegre ou que outra mais irritada fique calma e relaxada ao sentir o cheiro de óleos específicos para esse estado mental.

“Os óleos essenciais vão trabalhar tanto no plano físico como no emocional dessa gestante, pois eles agem no sistema límbico. Não tem como pensarmos no tratamento físico e dissociarmos o tratamento emocional. Hoje em dia, a psicossomática – ciência interdisciplinar que gera diversas especialidades da medicina e da psicologia -, tem mostrado o quanto as nossas doenças estão interligadas com as nossas emoções”, disse Rosiane Oliveira.

A aromaterapia, conforme a doula do HM, tem como favorecer um trabalho de parto mais tranquilo e, consequentemente, um ambiente mais acolhedor, pois os óleos essenciais, a exemplo da lavanda, são muito utilizados quando a gestante está estressada, com medo, não conseguindo se entregar totalmente para o momento do parto. “É um óleo que é um ansiolítico natural, trazendo calma, tranquilidade”, explicou.

Já num momento em que a equipe percebe que a gestante está triste, sozinha, se sentindo acuada, Rosiane Oliveira acrescenta que o mais indicado é trabalhar com óleos cítricos, que tragam alegria e positividade para o momento do parto, como, por exemplo, o de limão ou da laranja. “Já num trabalho de parto em fase avançada, podemos atuar com o óleo essencial de Salvia esclareia, que ajuda no momento final de trabalho do parto”, completou.

Atenção – Rosiane Oliveira esclarece que nos três primeiros meses do bebê não é recomendado que se utilize esses tipos de óleos, já que é um período de adaptação do recém-nascido ao ambiente externo. “O ideal é quem estiver nos cuidados com o bebê e também as visitas, não use perfume, desodorantes com cheiros fortes ou outros produtos do tipo, a fim de que se mantenha uma neutralidade para a criança. Depois desse tempo, o recomendável é colocar sobre o corpo algo muito suave. No entanto, dá para recorrer ao sabonete líquido ou um óleo corporal que a mãe use durante o banho e, logo em seguida, o enxague para ficar com o seu bebê, trabalhando, assim, suas emoções no puerpério”, recomendou.

Os óleos essenciais quando liberados e recomendados por médicos para massagens devem ser utilizados na concentração de até 1%, salvo indicações expressas pelo médico terapeuta, conforme a doula do HM. Há também recomendações diferenciadas para alguns óleos que são fotossensibilizantes.

“Cascas de frutas, por exemplo, geralmente são fotossensibilizantes, como limão, laranja, mandarina e tangerina. Então, se elas tiverem a furamocumarina entre os princípios, tornam a pele e mucosas mais sensíveis à luz ou às radiações ultravioletas”, esclareceu. “Mas a aromaterapeuta que estiver indicando esse óleo para a mulher vai ter esse cuidado. Aqui no HM usamos apenas para a difusão do ambiente, não tendo problema nenhum, mesmo que seja um óleo essencial de laranja ou de limão”, explicou.

De acordo com Rosiane Oliveira, os relatos das gestantes com a aromaterapia têm sido surpreendentes, já que muitas chegam ao trabalho de parto muito nervosas. Desse modo, os aromas conseguem trazer calma, tranquilidade, junto com o acompanhamento das doulas e dos profissionais que acolhem essa mulher na deambulação e nos quartos PPP.

“O óleo de anis estrelado traz calma, tranquilidade, trabalha o amor incondicional e tem tudo haver com o processo da mãe com o bebê. É um ótimo óleo para amamentação, porque estimula a ocitocina, que é um hormônio produzido no hipotálamo, conhecido como hormônio do amor, pois costuma ser liberado quando estamos perto de nossos parceiros. Quando isso acontece, os níveis de cortisol (hormônio do estresse) diminuem no organismo”, explicou.

Para Rosiane Oliveira, a importância desse tipo de recurso, que é utilizado no HM, consegue trazer métodos naturais a fim de que a mulher não precise, a cada oscilação de humor, vômito ou enjoo, recorrer sempre aos fármacos. “Trazendo esse método não farmacológico de alívio, de cuidado para essa mulher, conseguimos oferecer um parto mais tranquilo, por essa via mais natural, fazendo com que essa mulher sinta-se bem. Não é pelo fato de ser natural que a mulher vai ficar sofrendo. Pelo contrário. Ela vai ter todo o apoio, carinho e uma gama de aparatos, de terapias, de forma a aliviar essa dor e de acalmar esse emocional com o que pudermos usar aqui no hospital”, salientou.

Vale destacar que a aromaterapia é uma prática reconhecida pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), instituída pelo Ministério da Saúde (MS) no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2018. 

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