Apendicite é caso de urgência, alerta cirurgião

O tempo corre contra o paciente que sofre com a inflamação do apêndice
Foto: Ascom / Saúde
Apendicite é caso de urgência, alerta cirurgião
A apendicite é a principal causa de cirurgia abdominal em crianças
Repórter:
Neide Brandão

Dor abdominal mal localizada, normalmente próxima ao umbigo, que migra, após algumas horas (8 às 24h), para a região inferior direita do abdômen. Nesse local essa dor se torna bem mais definida e intensa. Este é um dos sintomas da apendicite, doença que requer atenção imediata nos hospitais de urgência e emergência, como o Hospital Geral do Estado (HGE), e que, embora raro, pode levar à morte.

A apendicite é a inflamação do apêndice, um pequeno órgão com o formato parecido com o dedo indicador, de aproximadamente 10 cm, localizado abaixo e no lado direito do intestino grosso. Afeta uma em cada 500 pessoas no mundo todo anualmente.

Segundo o médico, Alexandre Malta, cirurgião geral do HGE, uma pessoa pode morrer de apendicite se o órgão supurar (estourou) e a infecção atingir o abdômen e a corrente sanguínea. “Normalmente, o apêndice inflama por causa de uma infecção ou de uma obstrução do próprio apêndice. O órgão tem comunicação com o intestino grosso, por isso, pode ficar vulnerável a ação de bactérias intestinais que podem cair na cavidade abdominal em caso de perfuração do apêndice”, explicou.

De acordo com o cirurgião, o paciente com inflamação no apêndice apresenta além da dor na região abdominal, falta de apetite, febre baixa, náuseas, distensão abdominal, mudança no padrão intestinal, incapacidade de eliminar gases e, em metade dos casos, vômitos. No entanto, o quadro clínico descrito ocorre em aproximadamente 40% dos casos. Nos casos restantes, os sintomas podem ter variações que confundem e retardam o diagnóstico. 

“Os sintomas descritos ocorrem numa situação típica, a mais habitual. É frequente que as manifestações da doença sejam bem diversas e que o diagnóstico possa se tornar difícil. Cabe sempre fazer diagnóstico diferencial, entre outros problemas, com cálculo urinário, outras doenças do intestino, cistos ovarianos e infecção pélvica na mulher”, orientou o médico.

O diagnóstico de apendicite é feito principalmente pelo médico, através dos sintomas e cuidadoso exame clínico. Também são realizados exames complementares como o hemograma, raios-x simples de abdômen, ultrassonografia, tomografia e exame comum de urina. O exame de urina, quando normal, exclui doença do sistema urinário como passagem de cálculos ou infecção.

“Não há nenhum modo de se prevenir a apendicite e o tratamento é a cirurgia. Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a inflamação pode provocar ruptura do apêndice, com risco de peritonite, que é a infecção decorrente da entrada de fezes e material contaminado na cavidade abdominal; o que costuma ser bastante grave se não tratado a tempo, pela possibilidade da infecção se espalhar para outros órgãos e mesmo pela circulação. Por isso, quem apresenta dor abdominal contínua não deve deixar de procurar um serviço médico de urgência ou emergência”, orientou.

O médico orienta a pessoa que apresentar sintomas de apendicite a não tomar laxantes para aliviar a constipação intestinal, pois estes remédios aumentam a chance do apêndice estourar. Além disso, remédios para aliviar a dor também devem ser evitados.

“O essencial é procurar orientação médica, ser avaliado por um cirurgião geral, porque estes medicamentos podem mascarar os sintomas e tornar o diagnóstico difícil. Tem gente que confunde os sintomas completamente e toma remédio para infecção urinária, por exemplo, o que pode levar a doença a se agravar e entrar em uma rota perigosa”, advertiu.

A cirurgia para a retirada do órgão, a apendicectomia, deve ser feita assim que o problema é detectado. O tempo corre contra o paciente que sofre com inflamação do apêndice. Para se ter uma ideia, desde o início da dor até o apêndice perfurar podem se passar 24 horas e as chances de haver complicações são de 35%. Depois de 32 horas, os riscos sobem para 60%.

"Por isso, é importante procurar imediatamente uma unidade hospitalar de urgência e emergência e ser avaliado por um cirurgião geral quando se tem uma dor abdominal forte", alerta Alexandre Malta. 

A recomendação do cirurgião para operar reflete o perigo de uma apendicite supurada, pois ela pode ser ameaçadora à vida. A apendicectomia não complicada é um procedimento relativamente de pouco risco, quando o apêndice é retirado entre 24 e 48 horas após o início da dor e sem perfuração no órgão.

A apendicite é a principal causa de cirurgia abdominal em crianças. Quatro em cada mil crianças precisam ter seus apêndices removidos antes dos 14 anos de idade. O risco de apendicite aumenta com a idade, e o pico de incidência fica entre os 15 e 30 anos, mas pode ocorrer nos limites etários (crianças e idosos).

 



Fonte: Ascom / HGE