A coordenação estadual do Programa de Controle do Tabagismo participou, durante a semana passada, no Rio de Janeiro, do Encontro Nacional de Controle do Tabagismo, promovido pelo Ministério da Saúde por meio do Instituto Nacional de Câncer. O evento reuniu coordenadores estaduais, municipais e representantes das assessorias de comunicação das secretarias de saúde de todo o País, além de pesquisadores e educadores de comunicação social de universidades brasileiras.
O encontro teve como objetivos priorizar desafios a serem enfrentados em 2008 e 2009; construir propostas de trabalho visando uma maior integração entre as áreas técnicas e regulatórias do Ministério da Saúde, estados e municípios para o fortalecimento da descentralização das ações de controle do tabagismo.
Um dos destaques do evento foi a apresentação dos resultados da Investigação da Doença da Folha do Tabaco, pesquisa realizada no ano passado, na região fumageira de Arapiraca. O estudo foi realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca.
"Esse é o primeiro relato desta doença no Brasil, tendo, ainda, aprofundado as suspeitas quanto a sua presença durante a conclusão da investigação de intoxicação por agrotóxico realizada em 2005 pela área de epidemiologia da Sesau, com a participação da Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca", informou Vetrúcia Teixeira, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Estado da Saúde.
Outro tema que impulsionou o debate foi a estratégia da indústria do tabaco para manutenção do seu mercado consumidor. Para Vetrúcia Teixeira, a participação da área de comunicação tem sido importante para o desenvolvimento da Política de Controle do Tabagismo tanto em nível mundial, como nacional e local. "Precisamos usar a mídia como uma das ferramentas para contrapor à publicidade e marketing utilizados pela indústria do tabaco, que planta e disponibiliza no mercado um produto que dizima vidas ao invés de defendê-las".
A coordenadora sugere aos gestores das políticas públicas - principalmente saúde, educação, trabalho, meio ambiente, agricultura e economia - a reflexão sobre os danos causados pelo tabaco, desde o plantio até a distribuição dos derivados.
"Desta forma estarão aptos a assumir o compromisso de contribuir para o avanço das estruturas sociais, evitando o adoecimento e morte de seus cidadãos no manuseio e consumo deste produto. Os gastos com a saúde, principalmente na alta complexidade, têm sido maiores que a arrecadação de impostos pagos pela indústria do tabaco ao governo federal", disse.
Epidemia - No painel "Epidemia do Tabagismo no Mundo e a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco", Vera Luiza da Costa, consultora da Organização Mundial de Saúde (OMS), apresentou o cenário atual de fumantes, as implicações que o tabaco representa na redução da renda familiar e o impacto na economia.
"Há no mundo cerca de 1,3 bilhões de fumantes, trazendo como conseqüência 5 milhões de mortes anuais; metade são em países em desenvolvimento. Aproximadamente 2/3 de fumantes vivem em dez países do mundo e o Brasil é um deles. Pesquisas têm demonstrado que todo dia 100 mil adolescentes se tornam dependentes e entre as meninas o consumo vem crescendo", expôs.
Vetrúcia Teixeira considera a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco como um dos principais instrumentos regulatórios do setor. "Somente com políticas públicas rígidas e comprometimento social é que vamos conseguir vencer essa epidemia. Precisamos fortalecer a prevenção com os jovens, que é o público alvo da indústria do tabaco".
A Convenção Quadro é o primeiro tratado internacional de saúde pública que determina um conjunto de medidas para deter a expansão do consumo de tabaco e seus danos à saúde. Por mais de quatro anos, 192 países trabalharam em várias redações do texto da Convenção antes de chegarem a um documento de consenso que foi adotado por unanimidade na 56ª Assembléia Mundial da Saúde, em maio de 2003. O Brasil foi o 2º país a assinar o seu texto e em 2005 ratificou o documento.