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Posição prona ajuda no tratamento de pacientes de Covid-19 atendidos no Hospital da Mulher

Repórter: Marcel Vital
Repórter Fotográfico: Marcel Vital

Com a técnica de pronação, o paciente de Covid-19 é colocado de barriga para baixo, melhorando a função dos pulmões

Desde que a pandemia da Covid-19 se espalhou no Brasil e no mundo, o novo coronavírus tem provocado um estado inflamatório em diversos órgãos do corpo humano, sobretudo nos pulmões. Com isso, o agente infeccioso compromete a principal função desses órgãos: oxigenar o sangue e eliminar o gás carbônico. A técnica chamada de pronação, utilizada no Hospital da Mulher (HM), na qual o paciente fica de “barriga para baixo”, tem ajudado a melhorar a função dos pulmões dos doentes com insuficiência respiratória que estão internados nos leitos clínicos e na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“A abertura dos pulmões na posição de pronação permite maior fluxo sanguíneo. Estes órgãos são muito acometidos pela Covid-19. Na posição prona (de bruços), há melhora dos parâmetros respiratórios, facilitando a abertura dos alvéolos pulmonares que não participavam da respiração em posição supina (dorso), proporcionando, assim, melhores trocas gasosas. O uso dessa técnica aqui no hospital tem trazido resultados surpreendentes e bastante satisfatórios”, afirmou a coordenadora de fisioterapia do HM, Damyeska Alves.

“A abertura dos pulmões na posição de pronação permite maior fluxo sanguíneo”, diz Damieska Alves

Existem basicamente dois tipos de pronação, segundo a fisioterapeuta Jussara Lima. Muitos indivíduos hospitalizados devido à Covid-19, e que não se encontram em um estado grave, vão precisar da técnica feita de forma ativa, onde o paciente deitado na cama segue orientações do fisioterapeuta, ficando na posição lateral ou de “barriga para baixo”.

“Quando o paciente está respirando sem a ajuda do aparelho e você o incentiva a ficar de ‘barriga para baixo’, a ventilação para o pulmão fica mais homogênea. Isso porque, quando ele está de ‘barriga para cima’ tem o peso do coração em cima dos pulmões, fazendo com estes órgãos não ventilem de forma mais livre”, explicou Jussara Lima.

Jussara Lima diz que, com a ‘barriga para baixo’, a ventilação para o pulmão fica mais homogênea

Contudo, quando o paciente está intubado, de acordo com a fisioterapeuta Evelin Batista, é necessária uma equipe multidisciplinar formada por fisioterapeuta, médico, enfermeiro e dois técnicos de enfermagem durante o procedimento da pronação, visando minimizar possíveis riscos ao paciente, de modo a otimizar a conduta.

“Seja o paciente internado no leito clínico, seja na UTI, a técnica da pronação vai ajudá-lo a melhorar a troca gasosa e a oxigenação, facilitando a respiração, o que ajuda – e muito – a minimizar as complicações pulmonares decorrentes da Covid-19”, salientou Evelin Batista.

“Técnica da pronação vai ajudá-lo a melhorar a troca gasosa e a oxigenação”, ressalta Evelin Batista

Em março de 2020, a técnica de pronação foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para pacientes acometidos pela Covid-19. Ela é utilizada, desde os anos 1970, com maior expansão a partir de meados da década de 1980.

No que diz respeito à melhora do quadro clínico, a fisioterapeuta Danielly Palmeira enfatizou que a equipe tem observado ao longo desses 11 meses que a pronação tem ajudado numa melhora significativa da respiração dos pacientes, visto que um dos critérios para colocar o doente acometido pela Covid-19 de “barriga para baixo” é verificar a quantidade de oxigenação em seu sangue. Se estive baixo, faz-se necessário recorrer à técnica.

“A equipe multidisciplinar avalia o nível de saturação do sangue, ou seja, a quantidade de oxigênio que está sendo transportada na circulação, por meio de um aparelho, o oxímetro, que é colocado no dedo do paciente”, explicou Danielly Palmeira.

Equipe multidisciplinar do Hospital da Mulher utiliza a pronação para melhorar a situação clínica dos pacientes de Covid

Danielly acrescentou que os pacientes obesos em ventilação mecânica e àqueles ansiosos internados nos leitos clínicos são, em sua opinião, os mais difíceis para que a técnica da pronação tenha uma eficácia significativa.

“Há certa dificuldade com os pacientes obesos intubados, em virtude de eles terem uma distensão abdominal. Já para quem está internado no leito da semi-intensiva, a ansiedade é um fator que compromete a respiração. Eles ficam muito atentos ao monitoramento dos controles vitais, tais como: a tomada de pressão, verificação dos batimentos cardíacos, oxigenação e temperatura. Então, quando a gente diz: ‘olha, você vai ter que ficar na posição lateral ou de ‘barriga para baixo’, o paciente fica tentando contabilizar quantas horas já está na posição, se esse movimento está agravando o seu quadro clínico, se existe a possibilidade de ir para a UTI. Logo, há uma piora da ansiedade e, consequentemente, do cansaço, causado pelo novo coronavírus, fazendo com que a equipe oferte mais oxigênio por conta disso”, destacou.

Danielly Palmeira salienta que pacientes obesos, em ventilação mecânica e àqueles ansiosos têm maior dificuldade para a pronação ser eficaz
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