Repórter: Neide Brandão
Fotos: Anderson Oliveira

O dia iniciou cedo para a paciente Maria do Rosário, de 45 anos, moradora de São José da Lage. Às 4h da madrugada ela já se dirigia para uma consulta no Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), em Maceió. E, entre tantas outras mulheres presentes, participou da ação da unidade hospitalar voltada para pacientes, dentro do Mês da Mulher.
As atividades aconteceram no Ambulatório do Hospital e incluíram orientações sobre a saúde da mulher e os diversos tipos de violência, incluindo os cuidados e medidas protetivas e a importância da Rede de Atenção às Violências (RAV). O órgão foi concebido com o objetivo de estruturar, de forma descentralizada, uma rede intra e intersetorial, agregando serviços voltados ao acolhimento e atendimento integral e humanizado às vítimas.
Na ocasião também foram disponibilizados 30 testes rápidos de HIV, Sífilis e Hepatite B. “Foi um momento muito especial, finalizamos o mês dedicado às mulheres no Hospital Metropolitano de Alagoas, homenageando nossas mulheres, sejam pacientes ou usuárias. A ação aconteceu em parceria com a Sesau [Secretaria de Estado da Saúde] e teve a participação da equipe multiprofissional do Ambulatório, com psicólogos, assistentes sociais e a enfermagem. Realizamos testes e falamos sobre a importância dos cuidados com a saúde feminina. Um dia dedicado a elas, com exames e orientações precisas”, especificou Mayra Paiva, coordenadora do Ambulatório do HMA.

A psicóloga Jadna Pereira ressaltou que a mulher vive em constantes situações que podem gerar adoecimento. “E não me refiro apenas ao adoecimento físico, porque existe o mental também. Ao longo do tempo, a mulher só adquiriu funções, ocupou espaços e tem que dar respostas a todos eles. Ela não é só mulher, é mãe, companheira, profissional, referência muitas vezes na família, líder de comunidade, da igreja. É preciso cuidar das relações e de tudo que nos cerca porque o adoecimento vem dessa inter-relação com o meio que a gente vive”, referiu a especialista.
Segundo ela, o fisiológico da mulher contribui para o adoecimento. “Mensalmente passamos por oscilações hormonais que alteram, muitas vezes, o comportamento e reações às demandas apresentadas. O nosso apelo é para que vocês, mulheres, cuidem mais de suas vidas íntimas, relações e saúde física e mental. As mulheres sofrem vários tipos de violência, entretanto hoje estamos muito mais atentas para não aceitar e ir de encontro ao que nos adoece. Tudo isso é avanço para nos fortalecermos ainda mais”, completou.

Além de prestar atenção em cada informação repassada, a paciente de São José da Lage, Maria do Rosário, aproveitou para realizar os testes disponibilizados. “Se eu não chegasse no tempo certo para minha consulta, mesmo assim eu teria ganhado meu dia com o que vivi aqui. As orientações me fizeram autoanalisar-me como mulher e entender que antes de cuidar dos outros, preciso cuidar de mim. Faço tantas coisas lá na minha região que mal tenho tempo para mim”, afirmou a paciente.


