Repórter: Maju Silva / Ascom Hospital Ib Gatto Falcão
Fotos: Pedro Júnior / Ascom Hospital Ib Gatto Falcão

Referência em atendimentos psiquiátricos na região de Rio Largo, o Hospital Ib Gatto Falcão consolida-se como um dos principais centros de saúde mental de Alagoas. Com a capacidade recentemente ampliada, a unidade se prepara para receber pacientes de alta complexidade, contribuindo de forma significativa para o fortalecimento da Rede Estadual de Atenção Psicossocial.
Como parte do processo de qualificação para essa nova fase, foi realizado um treinamento especializado com a equipe multidisciplinar que atuará na nova ala de saúde mental. A capacitação foi promovida em parceria com o Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), instituição reconhecida como referência estadual na área. O foco do treinamento foi a abordagem em contenção física e mecânica, uma medida extrema, porém necessária em contextos específicos de crise. Ela tem o objetivo de preservar a integridade física tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde.
Segundo o diretor do Hospital Ib Gatto Falcão, Graciliano Ramos, a contenção consiste em técnicas específicas utilizadas para controlar comportamentos agressivos ou desorganizados que possam representar riscos à segurança. “A contenção física ainda carrega um estigma, mas quando aplicada de forma correta, ética e humanizada, é uma ferramenta valiosa no manejo de situações críticas em saúde
mental. O grande desafio é garantir que essa prática seja exercida com o máximo de cuidado, evitando traumas e respeitando os direitos dos pacientes. Por isso, investir na capacitação das nossas equipes é uma prioridade”, destacou.

A enfermeira Susi, que atua tanto no Hospital Ib Gatto Falcão quanto no Hospital Portugal Ramalho, reforçou a importância do preparo técnico aliado à sensibilidade no uso dessas práticas. “A contenção só deve ser utilizada como último recurso, quando todas as estratégias de desescalada verbal tiverem sido esgotadas. É fundamental que a equipe esteja treinada não apenas nas técnicas, mas também na escuta ativa e no acolhimento humanizado”, enfatizou Susi.
O treinamento foi conduzido pelas enfermeiras Danielle Coutinho de Souza e Marcelle de Castro, o enfermeiro Marcelo Lopes e a assistente social Sâmea Régia Lemos. Eles atuam no Hospital Escola Portugal Ramalho.
Para Danielle Coutinho, capacitações contínuas são essenciais para garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos. “Com as frequentes qualificações, podemos garantir não apenas a aplicação correta e eficiente das técnicas de contenção, mas também a segurança de pacientes, profissionais de enfermagem e equipes de apoio”, pontuou Danielle.
A assistente social Sâmea Lemos também destacou a importância da abordagem interdisciplinar nesse processo de formação. “A contenção, por mais que seja um recurso técnico, precisa ser compreendida dentro de um contexto ético e social. A capacitação não se limita ao ato técnico, mas envolve a formação de uma equipe sensível às particularidades dos sujeitos em sofrimento psíquico. É preciso promover um cuidado que respeite a dignidade humana e considere as diversas dimensões do ser, inclusive a social. Nesse sentido, a atuação conjunta de profissionais de diferentes áreas é fundamental para garantir um atendimento realmente humanizado”, ressaltou.
Além das práticas de contenção, o treinamento também capacitou os profissionais para:
Identificar sinais precoces de crise;
Aplicar técnicas de desescalada verbal e comunicação não violenta;
Executar contenções físicas com o menor risco possível de lesões;
Registrar adequadamente o episódio e acolher o paciente após a intervenção.
É importante ressaltar que o foco do treinamento está na redução do uso da força, no respeito à dignidade do paciente e na promoção de um cuidado centrado na pessoa. Os profissionais aprendem a reconhecer o sofrimento psíquico como expressão de dor, e não como ameaça, promovendo uma relação de confiança com os usuários.

O treinamento em contenção não é apenas uma questão técnica, mas também ética e social. Promover capacitações regulares, baseadas em evidências e nos direitos humanos, é um passo essencial para garantir que, mesmo em momentos de crise, o cuidado continue sendo a base da saúde mental, ressaltou o enfermeiro Marcelo Lopes.
“Mais do que ensinar técnicas, nosso papel aqui é lembrar que, por trás de cada situação de crise, existe uma pessoa em sofrimento. Contenção não é sobre controle, é sobre proteção, empatia e escuta. Quando qualificamos profissionais para agir com técnica e humanidade, estamos não apenas evitando danos, mas construindo vínculos. E é nesses vínculos que se inicia o verdadeiro processo de cuidado em saúde mental”, finalizou Marcelo.
A iniciativa representa um avanço importante na consolidação de uma assistência mais segura, acolhedora e humanizada no atendimento psiquiátrico em Alagoas. A capacitação integra um conjunto de investimentos estratégicos do Governo de Alagoas na área da saúde, com foco na humanização dos serviços e na ampliação do acesso ao cuidado especializado, especialmente em áreas sensíveis como a saúde mental.


