Repórter: Neide Brandão
Repórter Fotográfico: Thallysson Alves

Servir a sociedade. Esse é o princípio fundamental de quem se dedica profissionalmente a trabalhar na administração pública. O administrador Jeime Amorim, de 64 anos, e a auxiliar de serviços diversos, Lúcia Cristina Lins, de 54 anos, se encaixam perfeitamente neste princípio. Eles trabalham diretamente com o público, no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, a maior emergência do Estado.
“Já fomos o Pronto Socorro e Unidade de Emergência. o HGE tem história em Alagoas e na minha vida. Aqui vivi muitos momentos, são quase 41 anos da minha vida, em 1º de janeiro de 2024 faço mais um ano, profissionalmente falando”, disse Jeime Amorim.
Viúvo, pai de quatro filhos, avô de quatro netos e bisavô de dois bisnetos, ele já trabalhou em vários setores do hospital, só na Supervisão Administrativa foram 32 anos, incluindo ainda a Farmácia, o Almoxarifado, onde esteve à frente, e o Registro, hoje chamada de Recepção Humanizada.
Jeime já participou e presenciou modificações importantes no hospital e em setores como a própria Farmácia e o Registro. Foi o fundador do time de futebol do HGE, na época UE. Já deu ideias criativas que auxiliaram o desenvolvimento do hospital e presenciou casos policiais de destaque.
“Lembro de uma época que teve uma briga de gangues em pleno Natal e, alguns deles, foram atingidos por tiros e vieram para o HGE, acompanhados por familiares e amigos. Só que a gangue rival acabou vindo também para a porta do hospital e foi aquela confusão. Eu estava de plantão e, junto com a equipe, chamamos a Polícia Militar e todos foram levados em um camburão”, recordou.
Outra situação policial foi com um casal de italianos. “Traficantes, eles foram jurados de morte em Alagoas, chegaram a receber tiros e seus inimigos estavam de prontidão para acabar com eles, aqui no hospital. Montamos toda uma estratégia em conjunto com as Polícias Civil, Militar e Federal para que eles fossem levados até o aeroporto, após a alta, e tudo ocorreu da forma que organizamos, sem sequela alguma para os dois”, relembrou.
Prestes a se aposentar, Jeime afirma que, por ele, não pararia. “Gosto de trabalhar com o que faço. Acho até que quando paramos, morremos aos poucos. O ser humano precisa estar em ofício, fazendo algo pelos outros. Mas, quando eu me aposentar, se Deus permitir, quero viajar mais, ir ver minha filha em São Paulo”, disse emocionado, ao citar que, há alguns anos, ele fez essa mesma viagem de forma surpresa, comovendo a filha e o neto ao chegar vestido de Papai Noel na época de Natal.

Uma vida de sorrisos
Já Lúcia Cristina Lins, trabalha no mesmo setor de Jeime e está sempre de bom humor. Distribui sorrisos por onde passa e acredita que a vida passa muito rápido para perdemos tempo com reclamações e mal humor. “São 20 anos de HGE. Já vi colegas adoecendo e morrendo, muitos na época da Covid-19, que nem faz muito tempo. Este hospital representa demais para mim. Eu amo o que faço, as pessoas que aqui conheci e as que, de alguma forma, auxilio ao atender”, ressaltou.
Ela faz parte dos profissionais que entraram no concurso de 2003. Praieira, sempre procura estar próxima ao mar em suas folgas. Ela é casada e é mãe de um rapaz de 21 anos. Já trabalhou, dentro do HGE, nos setores de Compras, Serviço Social, Pessoal, Informação de Pacientes e Burocracia.
“Vi muita coisa boa e muita coisa triste por aqui. Foi no HGE que perdi meu irmão, vítima de um AVC [Acidente Vascular Cerebral]. O atendimento foi maravilhoso, 100% mesmo. Ele ficou internado na Unidade de AVC e só faleceu porque tinha que ser assim mesmo, mas vi que toda a equipe da unidade fez o que pode para tentar salvar a vida dele”, contou.
Sorridente, Lúcia diz que “ser servidora pública é exatamente o que a palavra diz: é estar disponível a servir, olhar, enxergar o próximo. Quem me conhece sabe que sempre dou o meu melhor, principalmente ao usuário que chega no hospital, em geral tão sofrido. Todos que estão no serviço público ou pensam em entrar através de um concurso público, devem ter em mente que é necessário amar pessoas, estar disposto a servi-las, cuidar e tratar com hombridade todo o tempo. Caso contrário, melhor procurar outra área de atuação”, aconselhou.
Fernando Fortes Melro, diretor do HGE, ressaltou as palavras de Lúcia Cristina e parabenizou os profissionais pelo Dia do Servidor. “Jeime e Lúcia são dois entre tantos servidores que dignificam o nome servidor. Parabenizo-os pela dedicação e cuidado com nossos pacientes, familiares e público que entra em contato com nosso hospital e sai orgulhoso pelo serviço prestado. Vocês nos representam”, ressaltou o gestor


