Repórter: Maju Silva / Ascom Hospital Metropolitano de Alagoas
Fotos: Pedro Júnior / Ascom Hospital Metropolitano de Alagoas

Os cuidados paliativos representam uma abordagem essencial no tratamento de pacientes com doenças graves e ameaçadoras à vida, especialmente em estágios avançados. Mais do que buscar a cura, essa prática prioriza a qualidade de vida, promovendo o alívio da dor, o controle de sintomas físicos e o suporte emocional, social e espiritual. Nesse contexto sensível, a equipe de enfermagem do Hospital Ib Gatto Falcão desempenha um papel insubstituível.
Com presença constante e uma abordagem profundamente humanizada, enfermeiros e técnicos estão na linha de frente. Eles monitoram sinais vitais, administram medicamentos para aliviar dores, náuseas, falta de ar e constipação, além de oferecerem cuidados fundamentais como higiene, hidratação e conforto físico.
No entanto, o trabalho da enfermagem vai muito além da técnica. Exige sensibilidade, escuta ativa e preparo emocional para acolher fragilidades, medos e desejos. A supervisora de enfermagem, Vanessa Oliveira, ressalta o impacto do cuidado empático.
“É preciso escutar com o coração. Muitas vezes, o que o paciente mais precisa não é de um remédio, mas de alguém que esteja ali, ouvindo com empatia, oferecendo presença”, destacou Vanessa Oliveira.

Essa escuta qualificada é essencial para construir vínculos de confiança e planejar um cuidado verdadeiramente individualizado, que respeite o ser humano em sua totalidade, e não apenas a doença. A comunicação torna-se assim uma ferramenta poderosa: ouvir sem julgamentos, informar com clareza e acolher o sofrimento do paciente e da família são pilares dos cuidados paliativos.
A técnica de enfermagem Girleide Maria reforça essa visão. “Cada gesto nosso carrega significado. Um banho dado com carinho, uma palavra de conforto, um olhar atento. Tudo isso ajuda o paciente a se sentir respeitado e valorizado, mesmo nos momentos mais difíceis”, desabafou Girleide.
A enfermeira Micaela Honório, que atua na unidade, também compartilha sua vivência no cuidado paliativo. “A gente aprende que nem sempre vai conseguir curar, mas sempre pode cuidar. E esse cuidado, feito com amor e atenção, faz toda a diferença. Às vezes, é segurando a mão do paciente que conseguimos dizer: Você não está sozinho”, afirmou Micaela.
Outro pilar fundamental dos cuidados paliativos é o trabalho em equipe. A atuação integrada da assistência social fortalece ainda mais o cuidado. Assistentes sociais, lado a lado com a equipe de enfermagem, discutem casos, alinham estratégias e garantem um atendimento contínuo e coeso.
A assistente social da unidade, Mariana Augusto, destaca esse trabalho conjunto. “Nosso papel é também acolher a família, que muitas vezes chega fragilizada, com dúvidas, medos e angústias. A escuta social é tão importante quanto o cuidado clínico, pois a dor da perda começa antes da partida”, disse Mariana Augusto.
As famílias, de fato, recebem atenção especial. Em meio à dor da despedida, o suporte emocional e a orientação tornam-se fundamentais. Prepará-las para os sinais da terminalidade, oferecer apoio em momentos críticos e garantir um ambiente acolhedor são formas de humanizar o processo da morte.
O cuidado com o ambiente também faz parte desse processo. Criar um espaço tranquilo, silencioso e acolhedor, respeitar rituais, permitir a presença de familiares e atentar aos detalhes, como iluminação, ruídos e objetos pessoais, são atitudes que reforçam a dignidade até o último instante.
Quando bem implementados, os cuidados paliativos transformam o fim da vida em uma experiência mais leve, digna e profundamente humana. A equipe de enfermagem e de assistência social do Hospital Ib Gatto Falcão, com sua presença constante e atuação empática, é protagonista nesse cuidado. Com técnica, acolhimento e sensibilidade, torna possível proporcionar conforto e qualidade de vida até o último suspiro, valorizando não apenas o fim, mas toda a beleza e complexidade de uma existência.


