Repórter: Maju Silva / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão
Foto: Pedro Júnior / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão

Na segunda-feira (18), data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Hospital Dr. Ib Gatto Falcão realizou uma ação de conscientização em alusão ao Maio Laranja, campanha nacional voltada ao enfrentamento dessa grave violação de direitos. A iniciativa enfatizou a importância da prevenção, da identificação precoce e do acolhimento humanizado às vítimas de violência sexual.
A ação foi conduzida pela psicóloga plantonista da unidade, Lycia Albuquerque, e desenvolvida junto aos pacientes que estavam em atendimento no hospital. Também foram abordados os profissionais que atuam na unidade, promovendo um momento de sensibilização, orientação e reflexão sobre a importância do papel coletivo na proteção de crianças e adolescentes.
A mobilização teve como objetivo alertar sobre a gravidade desse tipo de violência, que pode causar impactos profundos e duradouros no desenvolvimento físico, emocional, psicológico e social das vítimas. O abuso e a exploração sexual infantil configuram graves violações de direitos humanos e podem deixar marcas significativas ao longo da vida, comprometendo a autoestima, a segurança emocional, a construção de vínculos afetivos e a forma como a vítima percebe o mundo e se relaciona com ele.
De acordo com a coordenadora de Psicologia da unidade, Liziane Albuquerque, os efeitos psicológicos dessa violência podem se manifestar de diferentes formas, tanto de maneira imediata quanto a longo prazo. “O abuso sexual na infância e adolescência pode desencadear sofrimento psíquico intenso, como ansiedade, depressão, medo, culpa, isolamento social e dificuldades emocionais que impactam diretamente o desenvolvimento da criança. Por isso, é essencial que a vítima seja acolhida em um ambiente seguro, com escuta qualificada e suporte especializado, para que possa iniciar um processo de cuidado e reconstrução emocional”, explica.
No ambiente hospitalar, o trabalho da psicologia é fundamental no acolhimento e acompanhamento dessas situações. O psicólogo hospitalar atua na avaliação emocional, oferece suporte em momentos de crise e contribui para a construção de um espaço seguro para que crianças, adolescentes e familiares possam expressar sentimentos e vivências, minimizando o sofrimento psíquico e fortalecendo o cuidado integral.
Essa atuação ocorre de forma integrada com a equipe multiprofissional, envolvendo médicos, enfermagem, serviço social e a rede de proteção, favorecendo condutas articuladas, notificações adequadas e a garantia dos direitos das vítimas. Segundo a psicóloga, a capacitação contínua dos profissionais de saúde é uma ferramenta indispensável no enfrentamento à violência sexual infantojuvenil.
“Muitas vezes, os sinais não são verbalizados. Mudanças bruscas de comportamento, retraimento, medo excessivo, agressividade, alterações no sono e no apetite podem ser indícios importantes. Sensibilizar e preparar os profissionais para reconhecer esses sinais é fundamental para que a intervenção aconteça de forma rápida, responsável e eficaz”, destaca Lycia.


