Repórter: Arnaldo Santtos
Repórter Fotográfico: Arnaldo Santtos

Em alusão à Campanha do Setembro Amarelo, que tem este ano o slogan: “Se precisar, peça ajuda”, e com o objetivo de conscientizar os servidores sobre a importância do cuidar da saúde mental, e reduzir os agravos relacionados, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou, nesta quarta-feira (18), uma palestra focando as principais atitudes e comportamentos que possam ser adotados no dia a dia para se preservar a saúde mental.
A campanha Setembro Amarelo tem como principal objetivo conscientizar a população sobre a importância de cuidar da saúde mental e, assim, prevenir o suicídio. O suicídio é considerado um grave problema de saúde pública, sendo necessário falar sobre o tema para reduzir os índices de suicídio e agravos mentais, como ansiedade e depressão.
De acordo com a psicóloga e presidente do Centro de Promoção à Saúde, Educação e Amor à Vida (Cavida), Wilzacler Rosa e Silva, os sinais de alerta para o suicídio podem ser verbais e divide-se em diretos e indiretos. Uma fala direta de uma pessoa em risco pode ser: “Se isso acontecer novamente, acabarei com tudo”. Já uma manifestação indireta pode surgir como: “Tudo ficará melhor depois da minha partida”. Ambos os tipos de sinal merecem atenção, pois podem indicar sofrimento profundo e a necessidade urgente de intervenção, alertou a psicóloga.
Saber o que dizer a uma pessoa com depressão é fundamental para evitar agravar o quadro. Frases como “Isso é frescura” ou “Você só precisa se esforçar mais” são prejudiciais e invalidam os sentimentos da pessoa. Em vez disso, deve-se demonstrar apoio e empatia, com falas como: “Eu estou aqui com você” ou “Me importo com o que você está sentindo.” A escuta ativa e o acolhimento são fundamentais para que a pessoa não se sinta sozinha em seu sofrimento”, frisou.
De acordo com a psicóloga, “é essencial que entendamos que a prevenção do suicídio exige uma abordagem ampla, que envolva o diálogo contínuo sobre saúde mental, o acolhimento e a criação de um ambiente em que as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda. O cuidado com a vida é um compromisso diário”, destacou.

Fatores de proteção e risco
Na palestra, foram discutidos os fatores de proteção para prevenir o suicídio, que incluem o fortalecimento dos vínculos familiares e sociais, o acesso a tratamentos de saúde mental, a presença de uma rede de apoio e o desenvolvimento de habilidades para lidar com o estresse. Já os fatores de risco podem incluir o histórico de tentativas anteriores de suicídio, transtornos mentais como depressão e ansiedade, o abuso de substâncias, isolamento social, perda recente e situações de estresse intenso.
“A palestra foi um momento importante para conscientizar nossos profissionais sobre como prevenir e cuidar das pessoas em risco de suicídio, dentro e fora do ambiente de trabalho. O Samu precisa estar preparado para acolher e orientar tanto a população num caso concreto que atendemos diariamente, quanto os próprios colegas de trabalho, pois aqui também é um território de cuidado”, destacou a coordenadora da Central Maceió do Samu Alagoas, a enfermeira Beatriz Santana.
A psicóloga do Samu, Amália Jambo Muniz Falcão, afirmou que a prevenção ao suicídio seja eficaz, precisamos falar sobre saúde mental todos os dias, e não apenas em datas específicas. “A sociedade deve estar atenta aos sinais de quem sofre e oferecer suporte emocional constante, e é o que estamos fazendo no dia a dia, escutando e ajudando os nossos servidores”, enfatizou.
Para o agente administrativo do Samu, Cláudio Calheiros Calado, a palestra foi muito importante e produtiva. “Muitas pessoas precisam, às vezes, de atendimento psicológico e também dos conhecimentos sobre o tema, que são fundamentais para preservar a saúde mental”, pontuou.
“É fundamental que todas as repartições públicas, principalmente da área saúde, estejam preocupadas com a saúde mental dos seus servidores, por isso a importância dos temas abordados na palestra para reduzir os agravos relacionados à saúde mental, que têm crescido intensamente em todo o mundo”, destacou o Secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda.
Onde buscar ajuda
A campanha Setembro Amarelo lembra que o primeiro passo é não ignorar os sinais de sofrimento. Se você ou alguém que conhece estiver em sofrimento, peça ajuda. O silêncio pode ser quebrado com empatia e compreensão.
A ajuda pode ser pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) que promove apoio emocional e prevenção ao suicídio, com atendimentos gratuitos a qualquer pessoa. O Centro garante sigilo total e atende por telefone, e-mail e chat 24 horas por dia, nos sete dias da semana, pelo telefone 188.
Em Maceió, a ajuda pode ser através do Centro de Promoção à Saúde, Educação e Amor à Vida (Cavida), através do telefone: (82) 9.9333-2375. A busca por ajuda também poder através das Unidades de Pronto Atendimento (UPA); Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que são destinados ao atendimento de pessoas com sofrimento mental grave, incluindo aquele decorrente do uso de álcool e outras drogas, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial.


