Repórter: Maju Silva / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão
Fotos: Pedro Junior / Ascom Hospital Dr. Ib Gatto Falcão

O mês de setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, voltada para a conscientização sobre a prevenção do suicídio, a promoção de informação de qualidade e o combate aos preconceitos. O tema, ainda cercado de tabus, exige diálogo aberto e responsável, sobretudo dentro das unidades de saúde, onde a escuta, o acolhimento e o cuidado são fundamentais.
Para contribuir com essa reflexão, profissionais do Hospital Dr. Ib Gatto Falcão listaram alguns dos principais mitos e verdades que podem ajudar a salvar vidas:
Mito 1: “Quem fala em suicídio só quer chamar atenção”.
Verdade: Toda fala sobre tirar a própria vida deve ser levada a sério. Muitas vezes, trata-se de um pedido de ajuda e de uma forma de expressar um sofrimento que a pessoa não consegue enfrentar sozinha.
Mito 2: “Quem realmente quer se matar, não avisa”.
Verdade: Em grande parte dos casos, pessoas em sofrimento dão sinais, seja por meio de mudanças de comportamento, falas diretas ou indiretas, isolamento social ou até alterações bruscas de humor. Estar atento pode ser decisivo.
Mito 3: “Falar sobre suicídio pode incentivar alguém a se matar”.
Verdade: Conversar de maneira responsável e empática não incentiva o ato. Pelo contrário: abre espaço para que a pessoa compartilhe sua dor e busque ajuda. O silêncio, sim, aumenta o risco.
Mito 4: “O suicídio é sempre resultado de doenças mentais”.
Verdade: Embora transtornos como depressão e ansiedade sejam fatores de risco, situações de estresse extremo, perdas significativas e a falta de apoio emocional também podem desencadear pensamentos suicidas.
Mito 5: “Não há nada que eu possa fazer para ajudar”.
Verdade: Atitudes simples podem fazer a diferença. Ouvir sem julgamentos, demonstrar apoio, incentivar a busca por ajuda profissional e acompanhar a pessoa em sofrimento são gestos fundamentais. Amigos, familiares e a rede de saúde têm papel essencial nesse processo.
Prevenção é cuidado
O suicídio é considerado um problema de saúde pública que pode ser prevenido. No Brasil, cerca de 32 pessoas tiram a própria vida todos os dias, segundo dados do Ministério da Saúde. Especialistas reforçam que quanto mais informação, acolhimento e acesso ao cuidado, maiores são as chances de evitar que vidas sejam interrompidas.
No Hospital Dr. Ib Gatto Falcão, o compromisso é com a vida. Todos os pacientes que chegam em situação de risco recebem atendimento humanizado, avaliação clínica e, quando necessário, encaminhamento para acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
A médica clínica e especialista em saúde mental, médica Lara Moreira, destaca a importância do diálogo. “É preciso quebrar o silêncio e falar sobre o sofrimento. Quando escutamos alguém que pensa em desistir, não estamos incentivando o ato, estamos oferecendo esperança. A prevenção começa pelo diálogo aberto, acolhedor e sem julgamentos”, disse Lara.
Já a psicóloga da unidade, Saany, chama atenção para a força do acolhimento. “Muitas vezes, a pessoa não precisa de respostas prontas, mas de alguém que esteja disposto a ouvir com empatia. O simples ato de estar presente, mostrar compreensão e oferecer apoio já pode representar um ponto de virada na vida de quem sofre”, pontua.
Onde buscar ajuda
Se você ou alguém que você conhece apresenta sinais de sofrimento emocional, não hesite em procurar apoio:
- CVV – Centro de Valorização da Vida: 188 (ligação gratuita, disponível 24 horas por dia)
- Unidade de saúde mais próxima
- Amigos, familiares e profissionais de confiança
Falar é a melhor forma de prevenir. Informação, acolhimento e cuidado salvam vidas.


