Repórter: Neide Brandão
Repórter Fotográfico: Thallysson Alves

Doença infecciosa e transmissível, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos ou sistemas, a tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública. Contudo, segundo o médico pneumologista do Hospital Geral do Estado (HGE), Luiz Cláudio Bastos, a doença não se transmite por objetos compartilhados, nem através do contato físico, como abraço, beijo e sexo, por exemplo.
O pneumologista explicou que a transmissão da tuberculose acontece por via respiratória, pela eliminação de aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com a doença ativa, seja ela pulmonar ou laríngea, sem tratamento. A transmissão também pode ocorrer pela inalação de aerossóis por um indivíduo suscetível, imunologicamente fragilizado.
“O indivíduo tem que estar próximo, tossir e espalhar a secreção para o outro inalar. E bacilos que se depositam em roupas, lençóis, copos e talheres dificilmente se dispersam em aerossóis e, por isso, não têm papel importante na transmissão da doença”, explicou o médico.
No caso da transmissão, ainda segundo Luiz Cláudio Bastos, pode acontecer rapidamente e atingir vários órgãos, como ossos, pleura, intestino, pele e olhos, por exemplo. A vacina BCG é fundamental para proteger as crianças, principalmente da forma não pulmonar.
Sintomas
De acordo com o médico pneumologista Luiz Cláudio Bastos, o principal sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse. Essa tosse pode ser seca ou produtiva, com catarro. Entre os outros sintomas, encontra-se febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. “A recomendação é que toda pessoa com sintomas respiratórios, que apresente tosse por três semanas ou mais, seja investigada para tuberculose. Em geral, a faixa etária mais atingida está entre 14 e 50 anos, o período mais produtivo da vida”, salientou.
A forma pulmonar, além de ser mais frequente, segundo informou o médico, é a principal responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença. A extrapulmonar, que afeta outros órgãos que não o pulmão, ocorre mais frequentemente em pessoas vivendo com HIV, especialmente aquelas com comprometimento imunológico.
Tratamento
Caso a pessoa apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima da residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final.
“O tratamento consiste no uso de quatro drogas, que devem ser tomadas todos os dias, de preferência em jejum, durante seis meses. Esses medicamentos são entregues nos postos de saúde de referência, como exemplo, aqui em Maceió, podemos citar o da Pitanguinha”, citou Luiz Cláudio.
O médico do HGE ressaltou que, com o início do tratamento, a transmissão tende a diminuir gradativamente, e em geral, após 15 dias, o risco de transmissão da doença é bastante reduzido. “Ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão. O bacilo é sensível à luz solar e a circulação de ar possibilita a dispersão das partículas infectantes. A etiqueta da tosse, que consiste em cobrir a boca com o antebraço ou lenço ao tossir, também é uma medida importante a ser considerada”, orientou o especialista.
Diagnóstico
No Brasil, o diagnóstico é realizado conforme preconizado no Manual de Recomendações Para o Controle da Tuberculose no Brasil, sendo subdividido em diagnóstico clínico, diferencial, bacteriológico, imagem, histopatológico e por outros testes diagnósticos.
“Através da pesquisa do bacilo de Koch, o indivíduo colhe em laboratório, pela manhã, por ter mais secreção neste horário. São três amostras. Existe também o teste rápido, o molecular, que identifica a tuberculose pulmonar. Em Maceió, o II Centro de Saúde é a referência para a realização deste exame, a pesquisa no escarro, entretanto, pode ser realizada em qualquer outra unidade de saúde municipal”, informou.
Dados
No mundo, a cada ano, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem por tuberculose. A doença é responsável por mais de um milhão de óbitos anuais. No Brasil são notificados cerca de 70 mil casos novos e ocorrem, aproximadamente, 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose. Em Alagoas, houve o registro de 85 óbitos no ano passado e 1.053 casos novos. Números que são superiores aos computados em 2021, quando 65 pessoas morreram no Estado em razão da doença e houve o diagnóstico de 987 casos novos.


